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"Todos os argumentos que provam a superioridade humana não eliminam este fato:
no sofrimento os animais são semelhantes a nós."
Peter Singer - Filósofo e professor de bioética na Universidade de Princeton, autor de Libertação Animal (1975)

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quinta-feira, 3 de julho de 2014

A morte de Presley, a mais velha ararinha-azu,l e a luta pela sobrevivência da espécie

“Presley, o macho de ararinha-azul mais velho do mundo, morreu aos 40 anos na última quarta-feira (25). O animal era um ícone da conservação da espécie e dos problemas enfrentados por muitas outras espécies que são alvo do tráfico de animais, atividade criminosa que todo ano captura cerca de 38 milhões de exemplares apenas no Brasil. 

Presley tinha 40 anos
Foto: divulgação ICMBio

"Ele era um dos últimos indivíduos do ambiente natural. Como essa espécie é extinta na natureza, existem poucas matrizes para reprodução. Ele é muito valioso para ampliar a diversidade genética e evitar os cruzamentos entre aparentados", explica Patrícia Serafini, analista ambiental do Centro Nacional de Pesquisas e Conservação das Aves Silvestres (Cemave/ICMBio).

(...) História
Presley foi retirado ilegalmente da natureza por traficantes de animais silvestres, em 1984, e vendido como animal de estimação nos Estados Unidos. Através de iniciativas oficiais de conservação da espécie, Presley retornou ao Brasil em 2002.

Na Fundação Lymington, onde viveu por quase dez anos, foram feitas várias tentativas de reproduzi-lo em cativeiro, sem sucesso. Ano passado, o nascimento de filhotes por técnicas assistidas de fertilização sinalizou o potencial e o êxito da inseminação artificial em outros espécimes de ararinha-azul.

Em março de 2014, especialistas da Universidade de Giessen (Alemanha) colheram sêmen de Presley por eletroejaculação. Porém, os espermatozoides apresentaram aspectos negativos, morfológicos e de motilidade, consequência dos problemas cardíacos e idade avançada da ave.

Presley permaneceu na Fundação até ser internado no Hospital Veterinário da Unesp de Botucatu, em 20 de junho, porque não se alimentava mais sozinho. Lá, ficou sob cuidados veterinários de alta qualidade até o dia de sua morte.

A necropsia foi realizada no Laboratório de Patologia Comparada de Animais Selvagens (Lapcom), da Universidade de São Paulo, e as células germinativas (conservação de germoplasma) da ave foram preservadas para serem transplantadas em outro macho, que passaria a produzir o esperma de Presley. Esta técnica já foi realizada em outros grupos de aves e é a última tentativa para incorporar o material genético desta ave no grupo das ararinhas-azuis em cativeiro atualmente.”
– texto da matéria “Ararinha-azul mais velha do mundo morre aos 40 anos”, publicada em 2 de julho de 2014 pelo Portal Brasil

As ararinhas-azul foi declarada extinta na natureza em 2000. Além da perda de hábitat, o tráfico de fauna foi responsável pela extinção (problema abordado na animação Rio, com o personagem Blu. Atualmente, menos de 100 delas vivem em cativeiro de institutos de pesquisa (a maioria fora do Brasil).

Blu, a ararinha-azul da animação Rio
Todo o trabalho para garantir que a genética de Presley seja passada para futuras gerações é um exemplo do esforço para salvar a espécie – o cruzamento entre parentes, no longo prazo, é um fator negativo.

Existe todo um planejamento para reintroduzir as ararinhas-azuis em seu hábitat (o sertão da Bahia). Esse trabalho segue o Plano de Ação Nacional (PAN) para a Conservação da Ararinha-azul e está concentrado no Projeto Ararinha na Natureza, patrocinado pela Vale e envolve o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a Sociedade para a Conservação das Aves do Brasil (SAVE Brasil) o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) e as instituições que criam as ararinhas em cativeiro: A Al-Wabra Wildlife Preservation (Catar), a Association for the Conservation of Threatened Parrots (Alemanha), a Fundação Lymington e o criadouro Nest (ambos no Brasil) e a Fundação Loro Parque (Espanha).

Foto da última ararinha-azul em vida livre, feita em 1990
Foto: Luiz Claudio Marigo

As metas do Ararinha na Natureza são recuperar e conservar o hábitat de ocorrência histórica da espécie até 2017, inclusive com criação de unidades de conservação, e chegar a 150 aves em cativeiro visando o início das reintroduções até 2021.

- Leia a matéria completa do Portal Brasil

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